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Concepção

Parte-se da premissa de que a desejada educação profissional de qualidade é aquela que alia sólida formação profissional e consistente formação básica, de maneira indissociada e tendo o trabalho como princípio educativo. É sob esse viés que se fundamentam os princípios do Curso Técnico em Hospedagem integrado ao Ensino Médio.
Assim, a proposta concebida pela formação ampliada alinha-se em fornecer subsídios técnicos, conhecimentos práticos e preceitos operacionais sem perder a centralidade da formação crítica. Conceber a formação plena dos estudantes é, sobretudo, oferecer a eles um projeto que auxilie na autonomia do pensar.

Nesse contexto, o Curso Técnico em Hospedagem tem por concepção uma proposta que enfrenta a condição de formar numa dinâmica ampla, promovendo a relação do estudante com os paradigmas da modernidade ao mesmo tempo em que se propõem às questões alicerçadas pelo eixo turismo e hospitalidade.

Dessa maneira, abre-se um novo pensar sobre a hospedagem, concebida aqui nos preceitos do turismo como meio de mudança de vida e de quebra de paradigmas de formação. Preconiza-se, portanto, a valorização de propostas que transformem o estudante em um agente potencializador de ideias.

Princípios filosóficos e pedagógicos do curso

Compreendendo trabalho como princípio educativo, este projeto apoia-se na perspectiva da totalidade, buscando no materialismo histórico a necessária concepção filosófico-pedagógica para nortear a proposta de formação pretendida. Como apresentam Laudares e Quaresma (2007, p. 519):

A concepção de formação integral marxiana toma a superação da divisão do trabalho, a união do trabalho manual ao trabalho intelectual e o processo histórico-concreto de construção da sociedade sob o qual a formação integral se constrói. A perspectiva é de que esta formação integral leve os trabalhadores ao domínio científico e tecnológico do novo processo de produção em curso e propicie as condições para a construção de uma estrutura social na qual os trabalhadores se constituam como classe dirigente.

Na visão de Frigotto (2008), o trabalho, a capacidade humana que possibilita o domínio da natureza e a criação e recriação das condições materiais de existência, não apenas no plano econômico mas também no âmbito da arte e da cultura, da linguagem e símbolos, é princípio educativo pois:

[…] deriva do fato de que todos os seres humanos são seres da natureza e, portanto, têm a necessidade de alimentar-se, proteger-se das intempéries e criar seus meios de vida […]. O trabalho como princípio educativo, então, não é, primeiro e sobretudo, uma técnica didática ou metodológica no processo de aprendizagem, mas um princípio ético-político. Dentro dessa perspectiva o trabalho é, ao mesmo tempo, um dever e um direito. Dever por ser justo que todos colaborem na produção dos bens materiais, culturais e simbólicos, fundamentais à produção da vida humana. Um direito por ser o ser humano um ser da natureza que necessita estabelecer, por sua ação consciente, um metabolismo com o meio natural transformando em bens para sua produção e reprodução (FRIGOTTO, 2008, p. 3).

Oliveira (2003), ao retomar os documentos relativos ao debate da definição de educação tecnológica e do que seria a educação de qualidade no âmbito dos Centros Federais de Educação Tecnológica – CEFETs, conclui que o ensino de qualidade se consubstancia:

[…] na consistência teórico-conceitual da educação geral nos seus núcleos básicos (sociopolítico, científico, linguístico); na busca de construção da dimensão de cidadania e de formação do sujeito ético-histórico; na eficiência da sua educação profissional que procura formar trabalhadores eficientes, preparados para enfrentar os novos desafios tecnológicos e a cambialidade do setor produtivo e do mercado (OLIVEIRA, 2003, p. 27).

Destacando ainda o imprescindível compromisso de docentes e setores administrativo e pedagógico, para que se possa garantir um ensino competente, articulado a pesquisa e estágio, sintonizado com as particularidades locais, finaliza com:

[…] o que se considera como o mais importante para a qualidade do ensino na instituição: a integração entre ensino médio e o profissional, que […] se constitui na essência da denominada educação tecnológica […].

Em síntese, o conceito de educação tecnológica se vincula: à referida articulação entre ensino médio e profissional e, ainda, aos princípios ligados à omnilateralidade da formação humana; à interlocução entre a formação para a cidadania e a capacitação profissional; a uma visão de tecnologia que ultrapasse o reducionismo da sua aplicação prática; à consistência teórico-conceitual integrada a uma prática efetiva e eficiente (IBID, p.27. grifos no original).

 

Relação Teoria Prática

Considera-se necessário buscar a superação do dualismo que sempre caracterizou a educação brasileira, na qual de um lado se tem a educação de cunho acadêmico voltada para as elites e, de outro, o ensino profissional destinado aos trabalhadores. Alinhando-se ao Plano de Desenvolvimento Institucional do Instituto Federal Catarinense, assume-se o compromisso com a ruptura da dicotomia entre teoria e prática.

A educação tecnológica tem o compromisso de romper com a dualidade entre teoria e prática, dimensões indissociáveis para a educação integral, pois nenhuma atividade humana se realiza sem elaboração mental, sem uma teoria em que se referencie, apesar de ser a prática o objetivo final de toda aprendizagem. O princípio educativo não admite a separação entre as funções intelectuais e as técnicas, e respalda uma concepção de formação profissional que unifique ciência, tecnologia e trabalho, bem como atividades intelectuais e instrumentais.
A educação em todos os seus níveis e modalidades deve ser encarada como referencial permanente de formação geral, que encerra como objetivo fundamental o desenvolvimento do ser humano, pautado por valores éticos, sociais e políticos, de maneira a preservar a sua dignidade e a desenvolver ações junto à sociedade com base nos mesmos valores. A educação profissional e tecnológica pressupõe, portanto, uma qualificação intelectual de natureza suficientemente ampla que permita o domínio de métodos analíticos e de múltiplos códigos e linguagens, para construir, por sua vez, base sólida para a aquisição contínua e eficiente de conhecimentos específicos (INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE, 2009, p.27).

Na visão de Gramsci, encontra-se a melhor expressão da concepção pedagógica que alia teoria e prática em uma perspectiva de educação integral, emancipatória, que tem o trabalho como princípio educativo indissociado de uma formação geral ampla. A essa concepção pedagógica, Gramsci cunha o conceito de escola desinteressada:

[…] a expressão “desinteressado” […] em certo sentido, em português, se contraporia a “interesseiro, mesquinho, individualista, de curta visão, imediatista e até oportunista”. Nessa direção, resgata ele o sentido de “cultura desinteressada”, como sendo uma cultura de ampla visão, séria, profunda, universal e coletiva, que interessa a todos os homens (NOSELLA, 1992, pp. 17- 18).

Ao mesmo tempo em que denunciava o direcionamento das escolas profissionais de seu tempo à perpetuação das diferenças tradicionais, pois criava uma impressão de possuir uma tendência democrática, propunha que essa tendência não poderia consistir apenas na qualificação de cada operário manual ou camponês, mas “em que cada ‘cidadão’ possa se tornar ‘governante’ e que a sociedade o coloque, ainda que ‘abstratamente’, nas condições gerais de poder fazê-lo” (GRAMSCI, 1995, p. 136). Essa é uma das características fundamentais da concepção educativa em Gramsci: possibilitar, como padrão mesmo de formação, que cada pessoa adquira os hábitos, habilidades, valores e atitudes para se tornar virtualmente um governante.

Nessa perspectiva, o Curso Técnico em Hospedagem integrado ao Ensino Médio objetiva ao mesmo tempo, qualificar o cidadão e educá-lo sob bases científicas, bem como ético-políticas e culturais, baseando-se na estruturação de uma formação que unifique ciência, tecnologia e trabalho.

 

Interdisciplinaridade

O Curso Técnico em Hospedagem integrado ao Ensino Médio tem sua matriz curricular constituída a partir da organização disciplinar. No entanto, estas devem ser dispostas de maneira que possibilitem a formação esperada de um profissional nesta área. Segundo Oliveira (2011, p.1), este profissional deve possuir “conhecimentos, habilidades e atitudes referentes aos serviços de hospitalidade e lazer, atuando numa perspectiva sistêmica, humanística, democrática, sustentável e ética”.

Neste contexto, o conceito de interdisciplinaridade corrobora na concretização deste perfil de técnico profissional, pois, a partir da concepção epistemológica consoante com Japiassú (1976, p. 75),

O processo interdisciplinar pode ser caracterizado como o nível em que a colaboração entre as diversas disciplinas ou entre os setores heterogêneos de uma mesma ciência conduz a interações propriamente dita, isto é, a uma certa reciprocidade nos intercâmbios, de tal forma que, no final do processo interativo, cada disciplina saia enriquecida.

Existem outras concepções de interdisciplinaridade dentre as quais citam-se: Fazenda (2011), Luck (2002), Jantsch e Bianchetti (2002), que tratam a interdisciplinaridade como atitude na prática docente e Thiesen (2008) como um movimento articulador no processo ensino e aprendizagem. Orientados pelas diretrizes curriculares para os cursos técnicos integrados ao ensino médio e fundamentados nestas concepções, acredita-se que é possível promover a interdisciplinaridade no referido curso por meio da organização e planejamento no desenvolvimento das disciplinas.

Concordando com Possamai, Medeiros e Cardoso (2014, p.12),

A prática interdisciplinar, necessária à superação da visão restrita de mundo, à promoção de uma compreensão adequada da realidade e à produção de conhecimento centrada no homem, deve romper os “muros” que, frequentemente, se estabelecem entre as disciplinas e educadores.

A partir das reflexões sobre o perfil do egresso, da organização e planejamento da prática interdisciplinar, podem-se encontrar caminhos para estabelecer o processo avaliativo buscando a qualidade no ensino e aprendizagem. A concretização desta qualidade será acompanhada pela adoção de uma avaliação processual que contemple todas as suas etapas: diagnóstica, formativa e somativa. Entendida esta concepção da avaliação e de interdisciplinaridade, subentende-se que no Curso Técnico em Hospedagem integrado ao Ensino Médio os instrumentos de avaliação aconteçam de forma compartilhada entre as disciplinas por meio de projetos integradores.

Perfil do Egresso

As mudanças ocorridas no mundo contemporâneo e as consequentes mudanças nos paradigmas da educação nos últimos anos fazem-nos refletir sobre as novas concepções de formação para os estudantes brasileiros. O processo se reflete como indicativo nas práticas em todas as instituições, sendo, neste princípio, necessários constantes ajustes, adequações e discussões em torno da composição do ensino.

Nesse sentido, é de suma importância a uma instituição de ensino técnico integrado ao Ensino Médio conceber a base de sua composição nos pressupostos das condições humanísticas, a partir de um conceito de formação crítica do pensamento, buscando formar um conceito de indissociabilidade entre teoria e prática por meio da relação entre ensino, pesquisa e extensão.

Dessa maneira, o egresso do Curso Técnico em Hospedagem integrado ao Ensino Médio estará apto a executar atividades operacionais em meios de hospedagem: recepção e reservas, governança, lazer e entretenimento, eventos e restauração, sempre adequando os espaços físicos e o atendimento às necessidades dos clientes, valorizando as características culturais, históricas e ambientais do local de sua atuação. Além da formação técnica e científica, o egresso deverá, ainda, respeitar e valorizar o ser humano em todas as suas diferentes formas de expressão, promovendo a solidariedade e estabelecendo a cidadania como diretriz; bem como exercer a criatividade e a inovação como ferramentas de crescimento constante, estabelecendo sua prática como condutores do processo de melhoria da sociedade.

Assume-se aqui, portanto, a postura de um curso que busca a formação de um aluno autônomo, mas que, sobretudo, conceba-se como incentivador do conhecimento técnico no viés da formação ampliada.

 

Campo de Atuação

O campo de atuação do técnico em hospedagem é constituído pelas práticas operacionais em meios de hospedagem, incluindo embarcações, asilos e hospitais, prestando suporte ao hóspede durante sua estada.

 

Formas de Acesso ao Curso

O ingresso aos cursos da instituição ocorre mediante processo seletivo próprio. O edital do processo seletivo definirá a forma de classificação dos candidatos. Será aceita, ainda, a transferência de aluno oriundo de outra instituição de ensino, nacional ou estrangeira, para curso da mesma área e habilitação, mediante adaptação, realizada de acordo com a legislação e as normas institucionais vigentes, as quais especificarão local, prazos, documentos e procedimentos e definirão a forma de classificação dos candidatos.